A Direcional Engenharia, uma das maiores construtoras do Minha Casa Minha Vida, apresentou lucro líquido de R$ 213,2 milhões no primeiro trimestre de 2026, montante 29,6% maior do que no mesmo período de 2025.

No critério 'operacional', a companhia teve lucro líquido de R$ 200 milhões, alta de 27% na mesma base de comparação anual. O critério 'operacional' exclui a operação de swap de ações e outras despesas financeiras consideradas não recorrentes.

A melhora no lucro decorre principalmente do ciclo de mais lançamentos e vendas de imóveis, com subida de preços e manutenção de custos sob controle, a despeito do crescimento da inflação setorial. Essa equação ajudou a aumentar a receita e diluir despesas. Outro ponto importante no balanço foi a melhora na receita com juros.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 315,2 milhões, aumento de 47,0% na comparação anual. A margem Ebitda foi a 27,1%, ganho de 3,1 pontos porcentuais (p.p.).

A receita operacional líquida somou R$ 1,165 bilhão, crescimento de 30%. Já a margem bruta ajustada foi a 42,9%, aumento de 1,3 p.p na comparação, e renovando recorde da companhia.

As despesas gerais e administrativas somaram R$ 74 milhões, alta de 33%. Por sua vez, as despesas comerciais foram de R$ 107 milhões, avanço também de 33%.

O resultado financeiro (saldo entre receitas e despesas de natureza financeiras) da Direcional ficou positivo em R$ 628 mil no começo deste ano, portanto, uma reversão perante despesa R$ 16,1 milhões no começo do ano passado. O principal ganho aqui foi de R$ 11 milhões proveniente da atualização monetária e dos juros contratuais das contas a receber de clientes.

Caixa

A Direcional reportou geração de caixa operacional de R$ 35 milhões. A companhia também informou que teve amortizações de cessão de recebíveis de R$ 111 milhões no trimestre. Contando essa amortização, houve consumo de caixa contábil de R$ 76 milhões.

A dívida líquida fechou março em R$ 612,8 milhões, alta de 15,1% ante dezembro. A alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido) subiu para 24,0% de 23%.

Mensagem da administração

Na apresentação de resultados, a direção da Direcional afirma que a demanda por imóveis está mostrando resiliência desde janeiro. Recentemente, entraram em vigor as novas regras do Minha Casa Minha Vida (MCMV), com aumentos nas faixas de renda e tetos de preços dos imóveis enquadrados no programa, aumentando o poder de compra da população.

Esse cenário ajudou a acelerar velocidade de vendas da Direcional no trimestre, que permite à incorporadora ter maior tranquilidade para precificar o seu estoque de imóveis, tendo em vista a inflação provocada pelo conflito no Oriente Médio. "Seguimos atentos aos desdobramentos de qualquer movimento inflacionário", declarou a direção. "Acreditamos estar muito bem posicionados para manter a solidez".

Apesar da visão positiva para o mercado, a Direcional sofreu distratos de R$ 227,2 milhões no primeiro trimestre do ano, aumento de 104,3% na comparação anual. Segundo a direção, isso esteve relacionado ao fim de alguns cheques regionais que complementavam os subsídios para a compra de moradias no MCMV. Contando os distratos, as vendas líquidas cresceram mesmo assim, com alta de 22,9% na comparação anual, somando R$ 1,352 bilhão.