O Brasil retornou ao posto de terceiro país mais complexo do mundo para fazer negócios, de acordo com ranking da consultoria TMF Group. Depois de migrar para a sétima posição, em 2024, e a sexta, em 2025, o País voltou ao lugar que ocupava em 2023 - no ano anterior, 2022, chegou a estar no topo da lista.
O ranking considera, nesta edição, a complexidade para empresas multinacionais atuarem em 81 jurisdições, com base em 292 indicadores que abrangem questões de legislação, compliance, regras de contabilidade e de tributação, recursos humanos e obrigações de folha de pagamento.
Piores que o Brasil estão Grécia - no primeiro lugar pelo terceiro ano consecutivo - e México, que passou do terceiro lugar, em 2025, para o segundo nesta edição. Na ponta oposta, as jurisdições menos complexas são as Ilhas Cayman (81ª), Dinamarca (80ª) e Jersey (79ª) - uma ilha localizada no Canal da Mancha.
Para a TMF, no caso do Brasil, o sistema tributário com múltiplas camadas e as mudanças regulatórias frequentes aumentam a complexidade do País. O quadro é agravado por exigências rigorosas de compliance e regras inconsistentes nos níveis federal, estadual e municipal, acrescenta o relatório.
"As empresas precisam contar com expertise local, especialmente porque os obstáculos regulatórios muitas vezes atrasam a instalação, o registro e o licenciamento de negócios", diz o texto.
O impacto da reforma tributária sobre as empresas estrangeiras também é destacado pela consultoria. Ela ressalta que, embora simplifiquem processos, as novas regras sobre impostos e câmbio adicionam camadas de complexidade ao sistema brasileiro.
A TMF avalia ser provável que, nos próximos 12 meses, os legisladores implementem modificações adicionais nas áreas de contabilidade, tributação, mercados de capitais e fundos.
As instabilidades política e econômica persistentes no País também são obstáculos adicionais ao ambiente de negócios, afirma o relatório. A consultoria diz que a expectativa é que esse cenário continue à frente, o que demanda que os investidores façam análises detalhadas e uma mitigação de risco rigorosa antes de entrarem no mercado brasileiro.
A TMF pondera que, apesar desses desafios, as autoridades e empresas continuam a progredir no Brasil com a adoção de tecnologias - como as assinaturas digitais e o arquivamento eletrônico. Esse movimento "gradualmente alivia pressões administrativas e acelera processos que anteriormente eram manuais e demorados", diz.
As 10 jurisdições mais complexas para negócios em 2026
1º - Grécia
2º - México
3º - Brasil
4º - França
5º - Turquia
6º - Colômbia
7º - Bolívia
8º - Itália
9º - Argentina
10º - Peru
As 10 jurisdições menos complexas para negócios em 2026
1º - Ilhas Cayman
2º - Dinamarca
3º - Jersey
4º - Hong Kong
5º - Países Baixos
6º - Nova Zelândia
7º - República Tcheca
8º - Ilhas Virgens Britânicas
9º - Malta
10º - Curaçau
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