A Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto deflagrado nesta quinta-feira, 28, identificou que quatro fundos de investimento suspeitos de integrar um esquema de desvio de nafta ligado ao PCC acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões.

Segundo o Ministério Público, os fundos registraram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano e integravam um robusto núcleo financeiro usado pela facção para movimentações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, transações entre empresas e fundos de investimento.

Ao todo, a operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de cinco Estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A ofensiva mobiliza cerca de 135 auditores-fiscais, analistas tributários e servidores da Receita Federal, além de dezenas de agentes das forças de segurança que atuam em apoio à operação.

As investigações do Gaeco, braço da Promotoria que combate o crime organizado, e da Receita Federal apontam que o PCC estruturou um esquema de abertura em série de empresas em diversos Estados do País para sustentar as fraudes. De acordo com o Ministério Público, os denunciados usavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até detentos para registrar empresas que, formalmente, apareciam como compradoras de solventes. Na prática, porém, os produtos eram desviados para a Grande São Paulo.

Investigadores descobriram outras seis fintechs que atuariam como bancos paralelos da organização criminosa. Segundo a Promotoria, essas instituições integravam um núcleo financeiro responsável por compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, movimentações entre empresas e fundos de investimento ligados ao grupo, além do pagamento de despesas operacionais e gastos pessoais dos principais operadores do esquema.

A Fluxo Oculto aponta que o PCC utilizava mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial para esconder os verdadeiros beneficiários das operações financeiras.

"As estruturas desvendadas na data de hoje utilizaram-se do mesmo balcão financeiro marginal, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem, por vezes fundos/fintechs, alguns dos quais já indicados na primeira fase da Carbono Oculto e que, agora, aparecem evidenciados novamente, especialmente na frente da nafta", informou a Promotoria.

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