Encontro de Lula e Trump foi importante para quebrar clima de ruídos diplomáticos

Por Daniela Amorim

O encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em Washington, teve como destaque a "quebra do clima de 'ruídos diplomáticos permanentes' entre os dois países". Porém, negociações dos Estados Unidos com a China e a guerra no Irã têm potencial para afetar as exportações brasileiras.

A avaliação é do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta sexta-feira, 15, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). "A guerra do Irã, além dos reflexos no mercado de petróleo mundial e no Brasil, tende a afetar as vendas brasileiras para a região, em especial de carnes de frango e bovina e de milho, além das compras de adubos, fertilizantes e óleos combustíveis", apontou o Icomex.

Quanto ao comércio entre Estados Unidos e Brasil, o relatório lembra que as questões técnicas ainda serão tratadas em reuniões com representantes dos governos brasileiro e norte-americano.

Lula esteve com Trump na Casa Branca no último dia 7. Nesta semana, o presidente norte-americano encontrou-se com o presidente chinês, Xi Jinping, na China, no que a FGV chama de início de um "degelo diplomático".

"Uma negociação que reduza o grau de instabilidade trazida pelas tensões entre as duas potências é fator positivo para o comércio mundial. Para o Brasil, permanece o tema de eventuais concessões da China aos Estados Unidos, com compromissos de aumento das compras de soja, especialmente nos moldes do que foi tentado no governo Trump 1.0, mas não avançou. Os Estados Unidos não conseguem suprir toda a demanda chinesa, mas esse movimento pode eventualmente impactar negativamente as vendas brasileiras de soja para a China", ponderou o relatório do Icomex.

A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 10,5 bilhões em abril de 2026. No acumulado do ano de 2026, o superávit brasileiro foi de US$ 24,8 bilhões, acima dos US$ 7,5 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

"Entre os principais parceiros, registraram melhora no saldo comercial com a China, com ganho de US$ 7,3 bilhões, e a União Europeia, com ganho de US$ 1,4 bilhão. O superávit com a China, de US$ 11,6 bilhões, representa 47% do superávit total da balança de janeiro a abril. Os Estados Unidos registraram aumento do déficit, de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,4 bilhão, enquanto, no caso da Argentina, o superávit recuou de US$ 1,9 bilhão para US$ 815 milhões", frisou a FGV.

A FGV estima que a balança comercial brasileira encerre o ano de 2026 com um superávit entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões. A estimativa pressupõe "que o conflito no Oriente Médio não se estenda para o segundo semestre e que Trump não traga novas surpresas para o cenário mundial".