Durigan: governo discutirá parâmetros do arcabouço para equilibrar justiça social e fiscal
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo vai discutir parâmetros do arcabouço fiscal para equilibrar a justiça social e o fiscal. A declaração ocorreu em uma entrevista à Warren Investimentos gravada na última sexta-feira, 12, e divulgada nesta segunda-feira, 15.
"Não tem como fugir de um debate que seja equilibrar um mínimo de legitimidade de justiça social, de atendimento que o País precisa com a demanda de cumprir a responsabilidade fiscal, ter as contas públicas em dia", afirmou Durigan.
Ele disse ainda que o governo aprimorou o arcabouço para ter gatilhos mais rígidos e declarou que a oposição não vai ter como ter um novo "Posto Ipiranga" porque o cenário está dado.
"A raia que nós vamos discutir é como fazer esse equilíbrio, se é com 2,5%, 1,5%, se é com 3%, mas é isso, o debate está dado. A gente tem que equilibrar as coisas, de novo, melhorando a nossa trajetória fiscal", completou o ministro.
Relação do cenário fiscal com as taxas de juros
Na mesma entrevista, Durigan disse que há uma cultura de rentismo no Brasil que exige uma taxa de juros mais alta e argumentou que o cenário fiscal não é o único culpado para os juros altos no País.
"Eu acho que tem uma cultura do rentismo brasileiro que exige uma taxa de juros mais alta do que em outros países, mas sem dúvida nenhuma o fiscal faz parte desse debate. Ele não deve ser a resposta fácil, que se dá como placebo para tudo, mas o meu papel a frente da Fazenda é que a gente melhore o fiscal na maior medida que a gente puder", afirmou o ministro.
Segundo ele, a parte fiscal importa para inflação e juros, mas não é a causa dos juros altos. Ele citou como outros culpados para isso a falta de poupança e volatilidade do mercado de câmbio.
"Tem outros elementos que compõe essa colcha de retalhos. O fiscal é um deles, eu não estou fugindo da raia, mas outro dos elementos é a falta de poupança que nós temos no País, seja pública ou privada", completou Durigan.