O agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que empurra as cotações do petróleo para alta próxima a 5%, guia o Ibovespa na sessão desta quarta-feira, 8, de agenda esvaziada de indicadores. No exterior, o destaque é a ata do Federal Reserve (Fed), às 15 horas.
Segundo Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, o mercado brasileiro deve seguir condicionado aos desdobramentos externos, refletindo a preocupação com o repasse do petróleo mais caro à inflação.
O documento do banco central dos EUA é referente à última reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), quando o juro básico foi mantido no intervalo de 3,50% e 3,75% ao ano. Na ata, investidores buscarão pistas sobre os próximos passos do Fed. Enquanto isso, as bolsas americanas e europeias cedem, movimento que atingiu as asiáticas.
Para Pedro Moreira, da One Investimentos, a ata não deve dar sinais sobre os juros americanos, pois a gestão do presidente do Fed, Kevin Warsh, não deve ser pautada por indicações. No comunicado de política monetária em 17 de junho, o Fed promoveu uma revisão significativa, eliminando referências explícitas a possíveis ajustes futuros nos juros e adotando um texto mais enxuto.
"Os ativos devem operar mais em torno do conflito geopolítico hoje [quarta-feira] e nos próximos dias", conforme Moreira, da One.
Além da alta do petróleo, o minério de ferro subiu 0,88%, em Dalian, na China, fatores que podem estimular as duas principais ações do Índice Bovespa - Petrobras e Vale (-3,33%). No entanto, os papéis da mineradora recuam cerca de 3%, após o Morgan Stanley rebaixar a recomendação da Vale de overweight (equivalente à compra) para equal-weight (neutro).
Ao mesmo tempo, temores com inflação elevada e com a política monetária global jogam para baixo alguns papéis mais sensíveis ao ciclo econômico na B3, em reflexo ao avanço dos juros futuros nesta manhã.
A escalada do petróleo, cuja cotação máxima do Brent alcançou US$ 79,26 o barril mais cedo, ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o memorando de entendimento entre EUA e Irã "acabou". Ao mesmo tempo, Trump admitiu a possibilidade de continuidade de contatos diplomáticos.
O mercado nesta quarta reage à escalada da tensão entre EUA e Irã, com os ataques americanos realizados na noite de ontem elevando a aversão a risco global, reforça João Debom, sócio da Alude Capital.
Neste ambiente, o petróleo avança perto de 5% e estimula as ações da Petrobras, que amortecem um pouco a queda do Índice Bovespa, mas, segundo Debom, o efeito líquido é negativo, em linha com o movimento de baixa das bolsas no exterior.
Ainda ficam no foco o noticiário político e preocupações fiscais, com repercussão da audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que discutiu a aplicação de novas tarifas sobre as exportações brasileiras.
Na terça-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,25%, aos 172.020,68 pontos. Às 11h43, o Índice Bovespa cedia 0,9566%, aos 170.886,22 pontos, ante mínima em 169.972,40 pontos (-1,19%) e abertura na máxima em 172.017,57 pontos (variação zero).
Natura liderava o grupo das altas (6,21%). A empresa informou, em caráter excepcional, estimativas preliminares sobre o desempenho financeiro do segundo trimestre de 2026. Ações ligadas ao petróleo também ocupavam esse grupo, caso de Petrorecôncavo (3,23%) e Petrobras - PN: 2,06% e ON: 1,68%.
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