O resultado do IPCA-15 de julho foi o destaque da manhã desta terça-feira, 28, trazendo uma desaceleração da inflação para além do que esperavam até os analistas mais otimistas. De olho no aumento das chances de um novo afrouxamento monetário na reunião de política monetária da semana que vem, o investidor reduziu os prêmios de risco na ponta curta da curva a termo. Nos trechos intermediário e longo, o sinal também foi de queda, influenciado pela queda dos retornos dos Treasuries. Assim, houve fechamento em toda a curva.

O IPCA-15 teve alta de 0,06% neste mês, ante 0,41% em junho. Os analistas já esperavam uma desaceleração, mas as estimativas iam de 0,17% a 0,28%, com mediana de 0,21%. Entre os destaques ficou o grupo de Alimentação e Bebidas, que teve baixa de de 0,66% e foi o principal fator de alívio para o índice. Por outro lado, os gastos com habitação foram os que mais pressionaram a inflação, com alta de 0,97%, impulsionada principalmente pelos custos de energia elétrica.

No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 4,80% para 4,52%, aproximando-se da meta perseguida pelo Banco Central, embora ainda ligeiramente acima do teto, de 4,5%.

Para o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, os dados do IPCA-15 reforçam a aposta de novo corte de 25 pontos-base na taxa Selic, que já era majoritária no mercado, levando em conta fatores sazonais. Mas ele ressalta que, embora a decisão de agosto seja mais previsível, a continuidade do afrouxamento monetário dependerá em grande medida do desenrolar da guerra no Oriente Médio, que já completa cinco meses.

"Provavelmente o presidente do Banco Central (Gabriel Galípolo) irá manter o tom austero neste mês, mesmo que haja possibilidade de novo corte em setembro. Se o petróleo voltar ao patamar abaixo dos US$ 70, teremos um ambiente propício para isso", afirma.

Às 12h, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 tinha taxa de 13,865%, contra 13,908% do fechamento de segunda-feira, 27. O DI para janeiro de 2028 projetava 13,92%, ante 14,04% do ajuste anterior. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2031 tinha taxa de 14,41%, contra 14,58%.