Com dívidas de R$ 5,1 bilhões, Oncoclínicas entra com pedido de recuperação extrajudicial

Por Luísa Laval

A Oncoclínicas protocolou na segunda-feira, 13, um pedido de recuperação extrajudicial (RE) para reestruturar dívidas financeiras quirografárias de cerca de R$ 5,1 bilhões. O objetivo, segundo a empresa, é criar um "ambiente jurídico estável, seguro e transparente" para negociar com os credores.

Segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia, até esta terça-feira, 14, conta com adesão expressa ao plano de credores signatários detentores de aproximadamente 37% dos créditos. O porcentual, de acordo com a empresa, é suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial e demonstra apoio relevante ao processo.

A Oncoclínicas disse ainda que tem prazo de 90 dias, a contar do processamento da RE, para obter o porcentual mínimo necessário à homologação do plano, com a vinculação de 100% dos créditos abrangidos aos novos termos.

A empresa informou que o plano pode envolver, "ainda que não necessariamente", capitalização pelos acionistas, conversão de parte dos créditos em participação acionária, substituição de parte dos créditos por novas dívidas e alongamento do cronograma de amortização.

A Oncoclínicas afirmou que a RE não abrangerá obrigações operacionais correntes com clientes, fornecedores e parceiros e que elas seguirão sendo honradas "regular e tempestivamente" nos vencimentos. A companhia também disse que suas operações seguem sendo conduzidas normalmente e que a RE não deve impactar adversamente as obrigações com os clientes.

No mesmo comunicado, a empresa informou que duas controladas rescindiram contratos de locação atípicos na modalidade "built-to-suit" (imóvel que é desenvolvido ou adaptado sob medida): a Centro Paulista de Oncologia rescindiu contrato relativo a imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo, com multa estimada em cerca de R$ 76 milhões, incluída na lista de créditos abrangidos; e a Cebrom rescindiu contrato relativo a um pretendido hospital em Goiânia, cuja multa ainda é incerta e ilíquida, segundo a companhia.

A Oncoclínicas disse que o pedido de RE foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e será submetido à ratificação de assembleia geral extraordinária, que ainda será convocada.

A gestora Latache, uma das principais acionistas da Oncoclínicas, entrou em disputa com o fundo americano Centaurus em torno do pleito para realização de uma oferta pública de ações (OPA) da companhia após decisão contrária da área técnica da CVM. A negociação envolve uma cifra estimada em R$ 6 bilhões, cerca de dez vezes o valor de mercado da empresa hoje na B3 (R$ 502 milhões). A dívida do grupo soma R$ 3,5 bilhões, o caixa está restrito e as ações despencam 71% no ano.