Warsh dirá ao Congresso que Fed não tolerará inflação alta e comenta forças-tarefa do BC
O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou, em texto de depoimento antecipado ao Congresso dos EUA, que a prioridade "número um" do banco central americano é calibrar corretamente a política monetária e reiterou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) não tolerará uma inflação persistentemente elevada.
Warsh, que presidiu há um mês sua primeira reunião do Fomc, lembrou que, em junho, o Fed decidiu manter a taxa básica na faixa de 3,5% a 3,75%, em um cenário em que a atividade econômica continua crescendo em ritmo "sólido" e resiliente. Segundo ele, o consumo das famílias avança de forma moderada, a produção industrial vem subindo ao longo do ano, mas o setor imobiliário "continua para trás".
O dirigente destacou ainda que o investimento das empresas é hoje o traço mais marcante da economia, impulsionado pela construção de data centers e pela forte demanda por equipamentos e softwares ligados à inteligência artificial. Warsh citou que o investimento em equipamentos avançou cerca de 8% no ano até o primeiro trimestre, enquanto os gastos em tecnologia cresceram quase 25% na comparação de quatro trimestres. Segundo ele, o Fed acompanha as implicações desse movimento para a inflação e o mercado de trabalho.
Na avaliação do presidente do Fed, a produtividade tem apresentado crescimento forte, ainda antes de possíveis ganhos associados à adoção de IA. Ele disse que o mercado de trabalho dos EUA permanece "amplamente estável", com desemprego baixo e pouca variação em um ano, poucas demissões, pequena oscilação na taxa de vagas e crescimento sólido dos salários nominais.
Warsh também comentou a criação de cinco forças-tarefa internas para revisar práticas do banco central em áreas consideradas centrais para a condução da política monetária. Os grupos vão avaliar, entre outros pontos, a comunicação do Fed, as políticas de balanço (incluindo o regime de reservas amplas e a composição dos ativos), novas fontes de dados e eventuais mudanças metodológicas, os efeitos de tecnologias de uso geral sobre produtividade e empregos e os arcabouços e modelos usados para analisar a inflação.
No texto, Warsh também, homenageou o ex-presidente do Fed Alan Greenspan, que morreu no mês passado, e afirmou que a prestação de contas ao Congresso é parte essencial do mandato do banco central, ao lado da independência para conduzir a política monetária. Ele disse que o Fed inicia "um novo capítulo em um momento decisivo para nosso país" e seguirá focado em cumprir sua missão de promover pleno emprego e estabilidade de preços.
O testemunho de Warsh na Câmara dos Representantes terá início às 11h (de Brasília).