Fitch reitera rating BB- da Turquia e vê inflação desacelerar a 18% no fim de 2028

Por Patricia Lara

A Fitch reiterou os ratings da Turquia, já que a inflação segue como o principal limitador para uma melhora da nota do país, mesmo com a expectativa de desaceleração.

O rating da Turquia de longo prazo foi mantido em BB-, com perspectiva estável.

A Fitch projeta que a inflação turca passe de 32% em junho para 29,5% no fim de 2026 e 18% no fim de 2028, ainda a mais alta entre soberanos avaliados. 'Expectativas desancoradas elevam o risco de qualquer afrouxamento 'errar a mão' e reacelerar inflação e desequilíbrios externos", pontua a agência.

A Fitch nota que a política monetária mais restritiva ajudou a estabilizar câmbio e recompor reservas, mas com fragilidades. A alta de 300 bps no custo de funding do Banco Central turco, mais o aperto em teto de crédito contribuíram para recuperação parcial de reservas após intervenções para segurar a lira no choque gerado pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã.

As reservas devem ter uma melhora marginal à frente, porém abaixo do "pré-guerra" e com queda nas reservas líquidas. A Fitch cita que as reservas líquidas, excluindo swaps, caíram para cerca de US$ 43 bilhões, ainda bem acima do fundo de 2024, quando foram -US$ 66 bilhões.

A Fitch observa que a qualidade e composição das reservas e cobertura externa pioraram em comparação a pares "BB", já que a recomposição incluiu venda de ouro e swaps (cerca de US$ 20 bilhões). Com isso, a projeção de reservas brutas deve cair para 3,9 meses de pagamentos externos no fim de 2027, de 5 meses no fim de 2025, e abaixo da mediana dos países com nota "BB" (4,9 meses).

Em relação ao câmbio, o país deve procurar uma estratégia de depreciação gradual para conter dolarização, mas o teste será o ciclo eleitoral. O BC turco deve seguir com trajetória "controlada" de depreciação e medidas macroprudenciais para sustentar depósitos em lira; ficará mais difícil perto da eleição.

A Fitch projeta eleição antecipada no fim de 2027 e prevê estímulo moderado, com juros reais menores, porém positivos, relaxamento fiscal temporário e crédito. O risco é derrapagem para afrouxamento excessivo, nos moldes do que ocorreu em 202 e 2023, influenciada pela visão do presidente Recep Erdogan sobre juros.

"Em nossa avaliação, conter a dolarização ficará mais desafiador à medida que a eleição presidencial se aproximar", pontua a Fitch em relatório divulgado nesta sexta-feira.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast