Apetite do estrangeiro anima Ibovespa apesar de queda em Nova York

Por Maria Regina Silva

Após abrir estável aos 173.330,46 pontos, o Ibovespa engatou uma série de máximas. No melhor momento desta manhã, subiu 2,10%, aos 176.807,27 pontos, com valorização quase total da carteira teórica de 79 ativos. "O investidor estrangeiro dá a tônica", resume Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, o movimento sugere entrada de capital externo.

Depois de alguns dias em que a força compradora e vendedora acabou se igualando, como ontem, quando o Índice Bovespa fechou em -0,03%, hoje praticamente a alta das ações da Petrobras (1,99% PN e 2,46% ON) e da Vale (2,74%) impulsionam o indicador, no geral, observa, Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital. "A mineradora trouxe resultados sólidos. Como Vale e Petrobras representam boa parte do índice, acabam puxando", afirma. "A previsão de menos oferta por conta do fechamento do Estreito de Ormuz e outras rotas pressiona o petróleo", completa Bassaini.

Já em Nova York, com exceção do Dow Jones (+0,11%), os índices das bolsas cedem, à espera da divulgação dos balanços da Tesla, IBM e Alphabet após o fechamento dos mercados nos Estados Unidos.

Com a agenda de indicadores vazia, o foco são dados operacionais da Vale e balanços domésticos, além do conflito entre EUA e Irã, a 11ª noite de ataques americanos ao país persa, retaliação de Teerã e ameaças a rotas de escoamento do petróleo. A commodity sobe mais de 3%. Mais cedo, o Brent tocou US$ 95,47 o barril, elevando preocupações inflacionárias e com juros no mundo, principalmente nos EUA.

Ficam no radar ainda o tarifaço de 25% dos Estados Unidos a produtos brasileiros, que entrou em vigor hoje, e a possibilidade de tarifa extra de 12,5% do governo norte-americano, que pode ser anunciada na sexta-feira.

A despeito da queda da maioria das bolsas norte-americanas, o Ibovespa garante alta firme, motiva principalmente pelo ingresso de capital estrangeiro, como indica o EWZ, principal ETF (+1,42%) brasileiro negociado em Nova York.

De acordo com Moreira, da One, em divulgação de balanços de empresas americanas importantes, como hoje, que tem, por exemplo, Alphabet, alguns investidores saem do mercado dos EUA para emergentes como o Brasil, em busca de oportunidades e como forma de se protegerem.

"É um movimento tático, na tentativa de reduzirem um pouco a volatilidade de momentos como os recentes, em meio a preocupações com o setor de tecnologia", afirma o sócio da One.

Também foi realizada hoje a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da Vale, que elegeu para a presidência do Conselho de Administração, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie.

Já a Weg trouxe que a companhia reportou lucro líquido de R$ 1,558 bilhão de abril a junho deste ano, queda de 2,1% em relação a igual período de 2025. O Santander Brasil informou lucro líquido atribuível à holding de 551 milhões de euros no segundo trimestre, queda de 3% ante o trimestre anterior.

Ontem, a Vale divulgou que sua produção de minério de ferro no segundo trimestre alcançou 84,255 milhões de toneladas, alta de 0,8% ante o mesmo período do ano passado. Já as vendas de minério de ferro totalizaram 79,747 milhões de toneladas, aumento de 3,1%.

Na véspera, o Ibovespa fechou em baixa de 0,03%, aos 173.325,65 pontos. Às 11h54, o Índice Bovespa subia 1,20%, aos 175.397,26 pontos, ante alta de 2,10%, na máxima em 176.807,27 pontos e mínima em 173.328,05 pontos, estável.