Em artigo no Clarín, Milei defende reforma da Carta Orgânica do BC argentino
O presidente da Argentina, Javier Milei, publicou no jornal Clarín neste domingo um artigo em que defende a reforma da Carta Orgânica do Banco Central de la República Argentina (BCRA) e usa como principal argumento a inflação acumulada desde 1935 - ano de criação da autoridade monetária -, que ele afirma ser de 12.819.532.788.614.400.000%.
Milei apresenta cinco eixos para a reforma: concentrar a missão do BCRA em preservar o valor da moeda; proibir de forma taxativa o financiamento do Estado e a compra de títulos no mercado primário; endurecer as regras de remoção do presidente do banco e do diretório, exigindo dois terços em Senado e Câmara; restringir o pagamento de dividendos e direcionar resultados ao abatimento de dívida; e revogar mudanças de 2012, incluindo o fim das chamadas Letras Intransferibles. O presidente afirma que o pacote, somado a regras fiscais e outras reformas, encerraria décadas de "saque e decadência".
No texto, Milei sustenta que o BCRA falhou em sua missão fundamental de preservar o valor da moeda. Segundo ele, o resultado obsceno da inflação acumulada torna inevitável o debate sobre a própria existência de um banco central e, caso ele seja mantido, sob quais regras deve operar. O presidente argumenta que o dinheiro surgiu para facilitar trocas e viabilizar transações, mas critica a condução estatal desse serviço de liquidez, que classificou como deplorável.
"Evidentemente, o BCRA, como toda instituição da Argentina, não apenas não cumpriu seu objetivo, como a obscenidade do registro torna inevitável o debate sobre se deveria existir ou não um Banco Central e, caso se decida por sua existência, sob quais regras deveria operar", diz no artigo.
Ao defender mudanças, Milei associa a inflação a um fenômeno monetário decorrente do excesso de oferta de moeda e afirma que a emissão pode funcionar como mecanismo de transferência de renda do setor privado para o Estado. Ele também faz um relato histórico para sustentar sua tese: diz que, antes do BCRA, a inflação anual era baixa; após a criação, subiu; e, depois de mudanças institucionais e políticas, tornou-se crônica, com períodos de aceleração. Ele aponta a alteração da Carta Orgânica de 2012 como um marco de ampliação do uso político do banco.