O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, apontou que a inteligência artificial (IA) terá efeitos importantes tanto para a economia americana quanto para a política monetária, em discurso preparado para o Simpósio de Jackson Hole. Warsh destacou que a tecnologia aumenta o potencial de maior crescimento econômico diante do fluxo "interminável" de capital sendo alocado em investimentos de infraestrutura.

Contudo, ainda não está claro como todo esse potencial afetará a economia, observou o presidente do BC. Para Warsh, os principais questionamentos giram em torno de se a tecnologia aumentará de fato a produtividade, se será complementar ou não a criação de empregos, se demandará investimentos de capital ainda mais intensos a cada nova geração de IA e quais serão seus efeitos sobre os mercados financeiros.

"Não é óbvio onde os retornos desse capital vão pousar ou em qual prazo. Quanto do superávit vai para donos de laboratórios de IA com ativos escassos, fabricantes de chips, produtores de energia e provedores de nuvem? Ao longo tempo, esse valor irá para negócios e consumidores? Quais as implicações para o mandato de emprego do Fed?", ponderou nesta sexta-feira, 28.

Warsh notou que os gastos de capital (capex) de empresas estão aumentando rapidamente, com mais da metade atribuível à IA, citando como exemplo os investimentos em equipamentos - que cresceram no ritmo mais rápido desde 2021. "Para empresas no S&P 500, lucros aumentaram mais de 20% no último ano, com margens elevadas para a série histórica", apontou. "Continuaremos focados nos sinais internos do mercado e monitorando a performance dos setores".

O presidente afirmou que o banco central estudará essas mudanças principalmente por meio da força-tarefa criada sobre produtividade e empregos, que deve ajudar com insights para os dirigentes embora não tenha efeito direto nas decisões monetárias. "Minhas avaliações iniciais com os líderes dessa força-tarefa, e das outras quatro, foram encorajadores", disse. Dentre as outras quatro forças-tarefa, estão grupos que estudam inflação e a comunicação do Fed, por exemplo.