Moody's: Expansão de data centers sustentará adoção de IA na América Latina
A Moody's Ratings avalia que a expansão dos data centers será um pilar importante para a adoção de inteligência artificial na América Latina. A região que conta com energia renovável abundante, mas enfrenta limitações da rede, atrasos em licenciamento e gargalos de conexão, que determinarão o ritmo de implantação.
Em relatório divulgado nesta terça-feira, 4, a Moody's observa que as concessionárias de energia enfrentarão crescentes necessidades de capital para expandir a geração e as redes, e os riscos de execução e restrições tarifárias afetarão os retornos.
Para os desenvolvedores de data centers, o fornecimento de energia está emergindo com a restrição mais determinante. Os campi de IA podem exigir dezenas de Mws cada, equivalente a grandes cargas industriais, criando um estresse localizado em redes que não foram projetadas para absorver demanda tão concentrada.
Embora a América Latina conte com recursos renováveis abundantes e custo relativamente baixo, a capacidade de entregar energia firme e confiável a lugares específicos é desigual. Os desenvolvedores estão respondendo por meio de diversificação de locais, do resfriamento em circuito fechados e de parcerias com concessionárias de energia, mas essas soluções elevam os gastos de capital e prolongam os prazos de desenvolvimento.
Além dos data centers, a IA beneficiará as grandes empresas de bebias, auxiliando na rede de distribuição e acesso a dados de qualidade. Para as empresas de alimentos e bens embalados, o impacto mais significativo da IA surgirá por meio de previsão, estruturação de compras e planejamento da produção.
No setor financeiro, a IA ampliará as vantagens de instituições estabelecidas, mesmo enquanto novos concorrentes encontram oportunidades. Nesse cenário, instituições como Itaú Unibanco, Banco Bradesco e Bando de Crédito del Peru posicionam a IA como uma capacidade estratégica vinculada à personalização, segundo a Moody's.
Segundo o documento, no início de 2026, a região abrigava cerca de 2,340 megawatts de capacidade instalada de data centers, com crescimento anual de 15% a 20%. O Brasil detém 49% da capacidade regional, respondendo por uma fatia de 49%, seguida pelo México (27%) e Chile (9%).