Cautela do mercado financeiro com Brasil limita Ibovespa de seguir alta em Nova York
Mesmo após seis pregões seguidos de queda, o Ibovespa tem dificuldade em subir na sessão desta quarta-feira, 12, e acompanhar os índices das Bolsas em Nova York. Por lá, No exterior, os mercados reagem ao índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. O dado de inflação veio dentro do esperado e reforçou apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) em setembro, no nível entre 3,50% e 3,75%.
Por aqui, investidores digerem a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que corroborou análises de outros indicadores de desaceleração gradual da atividade econômica. Ainda, investidores ecoam sinais desfavoráveis ao Brasil, a poucos meses da eleição. Também ficam no radar balanços já divulgados, como o da B3, e os resultados previstos para depois do fechamento: Banco do Brasil, Suzano, CSN e CSN Mineração.
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 2,50%, aos 167.874,64 pontos, o menor nível desde 20 de janeiro (166.276,90 pontos), em meio ao aumento do ruído político e após o JPMorgan rebaixar a recomendação para Brasil a neutro. Com isso, investidores reduziram risco e aceleraram vendas, com saída de estrangeiros, diante da piora do sentimento em relação ao quadro fiscal e à incerteza sobre o próximo governo.
Às 11h20 desta quarta, o Ibovespa caía 0,01%, aos 167.857,53 pontos, antes 0,44%, na mínima aos 167.141,82 pontos, após abertura estável a 167.877,75 pontos e máxima em 168.309,55 pontos (alta de 0,26%). Embora o petróleo recue, Petrobras tentava alta, depois da queda na véspera, assim como Vale. Já Itaú Unibanco - outro recuo importante ontem - cedia cerca de 0,5%.
"É uma manhã um pouco mais positiva. As ações da Petrobrás vinham escondendo um pouco o desempenho real do Ibovespa. Hoje estão melhores, mas há ativos que resistem, caso de Itaú", diz Gabriel Mota, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.
De acordo com Mota, o rebaixamento do JPMorgan adicionou muito fluxo vendedor. "Foi o gatilho para uma queda que já acontecia e foi ampliada", afirma. Segundo ele, um sinal de estrangeiro "vendendo Brasil" foi o desempenho das ações da Petrobras, que recuaram mais de 1%, mesmo com a cotações do petróleo Brent em nível elevado, perto de US$ 90 o barril. "Petrobras era um ativo para não cair tanto, mas quando tem uma exposição grande, o estrangeiro vende a cesta Brasil, mesmo de ativos com liquidez", afirma o especialista da Manchester.
Conforme o ultimo dado, do dia 10, os investidores estrangeiros retiraram R$ 1,656 bilhão da B3. Assim, a retirada em agosto é de R$ 7,212 bilhões, mas ainda há entrada no acumulado do ano, de R$ 29,194 bilhões.
Divulgado nesta manhã, o volume de serviços prestados ficou estável em junho ante maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima da mediana das estimativas do Projeções Broadcast, que apontava queda de 0,2% na margem, com intervalo entre recuo de 1,6% e alta de 0,7%. A avaliação geral é de que o dado mantém apostas de nova queda de 0,25 ponto porcentual na Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) em setembro, para 13,75% ao ano.
Nos EUA, o CPI subiu 0,1% em julho ante junho, conforme o previsto, e registrou alta de 3,4%, dentro do esperado, assim como o núcleo do indicador. Investidores também monitoram o impasse nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
"Para o Banco Central americano, acredito que é um uma inflação dovish, algo que vai jogar a favor de aumentar as expectativas de manutenção na taxa de juros nas próximas reuniões", diz o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz.
Segundo Vinicius Flores, economista e sócio da Stratton Capital, gestora americana sediada em Nova York, com os dados dos EUA em linha com as expectativas, o próximo número de inflação que será divulgado antes da decisão do Fed em setembro carregará mais peso para a decisão do comitê. Com a divulgação de hoje, Flores diz que "a probabilidade mais alta 'o Fed mantar as taxas de juros."