Casas Bahia tem prejuízo líquido ajustado de R$ 978 mi no 2tri26, 76,2% maior que no 2tri25
O Grupo Casas Bahia teve um prejuízo líquido ajustado de R$ 978 milhões no segundo trimestre de 2026, uma alta de 76,2% ante o registrado em igual período do ano passado.
O prejuízo líquido contábil no período foi de R$ 10,117 bilhões, número impactado por uma série de valores não recorrentes. Desse total, R$ 5,563 bilhões foram registrados como imposto de renda e contribuição social diferidos. Além disso, R$ 1,8 bilhão foram de passivos de contingência contratual e R$ 971 milhões são de baixa de ágio. Por fim, R$ 502 milhões foram gastos com a reestruturação e R$ 210 milhões com imobilizado, ambas cifras referentes à reorganização de pessoal e fechamento de lojas.
A empresa informou que 298 lojas foram fechadas até a divulgação do balanço, tendo em vista seu desempenho operacional, necessidade de capital empregado e retorno econômico diante do atual custo de capital.
O volume bruto de mercadoria (GMV) consolidado cresceu 0,5% em um ano, para R$ 10,512 bilhões, mas o referente a lojas físicas caiu 3,2%, para R$ 6,084 bilhões.
A receita líquida somou R$ 6,977 bilhões, alta anual de 1,6%. O total das despesas operacionais foi de 5,362 bilhões e o custo das mercadorias vendidas somou R$ 4,626 bilhões.
A linha de outras despesas e receitas operacionais ficou positiva em R$ 3,529 bilhões, o que possibilitou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 518 milhões, cifra 9,4% menor que a de um ano antes. A margem Ebitda é de 7,4% no 2tri26, 0,9 ponto porcentual (pp) menor que no segundo trimestre de 2025.
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,278 bilhão, 11,4% maior que o do segundo trimestre. As despesas financeiras subiram 7,3%, para R$ 1,347 bilhão. De acordo com a empresa, os números foram impactados pelo elevado custo de capital no Brasil. A dívida líquida foi de R$ 1,202 bilhão, o que gera alavancagem de 0,5 vez.
Há um ano, a Casas Bahia implementou uma profunda reestruturação de capital com conversão de debêntures em ações. Passado um ano, a empresa admitiu que os dados indicam uma "incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa" sobre a capacidade de continuar operando normalmente.
Neste sentido, o fluxo de caixa livre caiu de R$ 852 milhões no primeiro trimestre do ano para R$ 798 milhões no segundo trimestre.
A varejista observou também um aumento da inadimplência no carnê acima de 90 dias, que foi de 8,9%, 0,5pp maior que em igual período do ano passado.