O Sebrae/SC e o Governo do Estado de Santa Catarina realizaram nesta terça-feira (22), na sede do Sebrae/SC, na capital catarinense, o encontro de apresentação da Inteligência de Mercado da Ovinocaprinocultura Catarinense e a entrega dos resultados do projeto pioneiro de Genômica Ovina. O evento reuniu produtores, agroindústrias, cooperativas, especialistas e autoridades para discutir a profissionalização da cadeia e novos horizontes de agregação de valor à carne e ao leite no estado.

Desenvolvido pela consultoria SIA (Serviço de Inteligência em Agronegócios) a pedido do Sebrae/SC e do Governo Estadual, o estudo de inteligência de mercado mapeou o fluxo produtivo, o processamento formal e o consumo no estado, a partir de dados da Cidasc (2013-2025) e de mais de uma centena de entrevistas com elos do setor. O diagnóstico evidenciou um paradoxo típico de cadeias emergentes: Santa Catarina conta com demanda de mercado aquecida no varejo e capacidade instalada nos frigoríficos, mas ainda apresenta oferta local dispersa e sazonal.

Conforme apontam os registros oficiais, o abate formal catarinense de ovinos deu um salto expressivo na última década (atingindo pico de quase 79 mil cabeças/ano), mas historicamente cerca de 70% dos animais processados nas plantas frigoríficas de SC vêm do Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, no campo e no varejo, a demanda por carne de cordeiro de qualidade supera a oferta atual.

Para o diretor técnico do Sebrae/SC, Fabio Búrigo Zanuzzi, o diagnóstico e a entrega dos dados genéticos representam um divisor de águas na estruturação econômica do setor em Santa Catarina:

Nosso estado tem uma vocação agroindustrial de ponta e um mercado consumidor exigente, mas a ovinocaprinocultura ainda esbarra no gargalo da escala e da regularidade. Nossos frigoríficos têm capacidade de processamento, o varejo e os restaurantes querem o produto local, mas precisamos organizar a ponta produtiva. É exatamente aqui que entram a inteligência de mercado e a tecnologia.

O estudo traça caminhos para que o estado transforme esse potencial em renda para as propriedades catarinenses através de governança, assistência técnica continuada, padronização de carcaças, organização de lotes regionais e desenvolvimento de marcas com identidade territorial (como o projeto “Cordeiro Catarinense”).

Pioneirismo: chips de DNA na ovinocultura brasileira

O encontro também foi o marco da entrega oficial dos laudos de genotipagem de cerca de 800 ovinos pertencentes a 24 propriedades de Santa Catarina. O projeto é uma iniciativa de vanguarda conduzida pelo Sebrae/SC com a parceria de entidades privadas, como a DNA Genética do Brasil.

Enquanto o sequenciamento genômico já é uma rotina consolidada na pecuária leiteira e de corte bovina, sua aplicação na ovinocultura brasileira é uma inovação quase inédita. Os animais foram avaliados a partir de chips moleculares com cerca de 80 mil marcadores de DNA.

Com os relatórios em mãos, os 24 criadores participantes tiveram acesso ao raio-x genético individual de seus plantéis. O laudo contempla:

– Potencial produtivo e zootécnico: índices de conversão e aptidão para ganho de peso;
– Marcadores de saúde e sanidade: mapeamento de suscetibilidade e resistência a doenças complexas, como Scrapie Clássico e Maedi-Visna;
– Critérios de acasalamento: dados de precisão para escolha assertiva de reprodutores e planejamento de longo prazo da cabanha.

A aplicação da ferramenta abre caminho tanto para criadores já estruturados acelerarem o ganho genético e financeiro quanto para novas propriedades ingressarem na atividade com segurança econômica e alta previsibilidade.

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