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O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ergue boneco de Nossa Senhora em manifestação nesta segunda-feira, 28. (Fotos: X/Reprodução )
Checagem mostrou que a acusação não procede e surgiu da confusão com um projeto antigo já arquivado
Checagem de boato nas ferramentas de IA
Uma verificação feita nesta terça-feira, 29, mostrou que os principais chatbots de inteligência artificial usados no Brasil responderam de forma negativa a uma pergunta que circulava entre eleitores: Flávio Bolsonaro teria um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil? Claude, ChatGPT e Gemini negaram a existência de qualquer proposta apresentada pelo senador do PL com esse objetivo.
O tema ganhou força nas redes nos últimos dias da campanha por causa de uma fake news que associava o nome de Flávio a uma suposta iniciativa contra o título religioso. A consulta foi feita com a mesma formulação nas três plataformas, e todas apontaram que não havia registro de proposta atual nesse sentido.
De onde veio a confusão
O único texto com objetivo parecido é o PL 2.623/2007, de autoria do então deputado Victório Galli. O projeto sugeria trocar a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, mas acabou arquivado em agosto de 2008.
A confusão aumentou porque Galli, que depois foi nomeado assessor da Presidência da República em 2019, manteve proximidade política com a família Bolsonaro. Atualmente, ele apoia a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto, o que ajudou a alimentar a associação entre os dois nomes.
O que disseram os chatbots
No teste, o Gemini respondeu de forma direta que a informação era falsa. O ChatGPT explicou que havia uma confusão com o projeto de 2007 e citou fontes institucionais. Já o Claude afirmou que não havia registro de proposta do senador e detalhou a origem da polêmica.
As três plataformas também descreveram de maneira semelhante como tratam temas políticos: com busca por fontes atualizadas, cautela em períodos eleitorais e prioridade para respostas baseadas em dados verificáveis. Ainda assim, o próprio resultado da checagem tem limitações, já que a consulta foi feita apenas uma vez e em um único dia.
Repercussão e resposta de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro classificou a acusação como fake news e afirmou que não existe qualquer iniciativa atual com esse objetivo. O caso acabou sendo levado ao Judiciário, que determinou a remoção de publicações que o vinculavam ao projeto de lei antigo.
O episódio mostra como boatos políticos podem se espalhar rapidamente em períodos eleitorais e como ferramentas de IA, ao buscar referências recentes e confiáveis, podem ajudar a contestar informações sem base documental. Mesmo assim, a checagem reforça a necessidade de leitura crítica e confirmação em fontes oficiais.
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