Petróleo cai após se aproximar de US$ 110 em dia de novos ataques dos houthis
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O preço do petróleo começou em alta nesta sessão de sexta-feira (11), chegando a ficar perto dos US$ 110. No entanto, passou a cair em seguida com a informação de uma possível reunião entre os chanceleres do Irã e de outros países do golfo Pérsico nos próximos dias para debater a situação do estreito de Hormuz, bloqueado para navegação desde o início da guerra em 28 de fevereiro.
O barril Brent, referência mundial, começou as negociações com uma alta de 2% para US$ 109,62 por volta das 21h (horário de Brasília) da quinta-feira (10). O valor ficou um pouco abaixo dos US$ 109,68 registrados na sessão de quinta.
Porém, o preço passou a cair ao longo do dia até atingir a mínima de US$ 103,51 por volta das 7h45 desta sexta, uma queda de 3,83%. A partir daí, ele se estabilizou, fechando o dia a US$ 104,47, desvalorização de 2,94%.
A disparada dos dias anteriores, no entanto, influenciou a variação semanal, que foi de alta de 8,51%.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, fechou esta sexta com queda de 2,43%, a US$ 99,99. Na semana, houve alta de 9,30%. Tanto Brent quanto WTI encerraram a segunda semana consecutiva de alta.
Os preços caíram depois que o jornal Financial Times informou que os ministros das Relações Exteriores do Irã e de Omã articulam uma reunião na segunda-feira (14) para debater o controle sobre o estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes do conflito.
Segundo duas pessoas ouvidas pela publicação, vários países já teriam confirmado presença no encontro marcado, mas não foram divulgados quais são eles. Irã e Omã vêm negociando desde o início do mês um acordo para determinar o controle em Hormuz, porém o presidente dos EUA, Donald Trump, já disse ser contra esse pacto e ameaçou bombardear Omã.
"Algumas manchetes sobre possíveis novas negociações no Oriente Médio estão pesando moderadamente sobre os preços do petróleo hoje", disse o analista de energia do UBS, Giovanni Staunovo. "Continuo vendo riscos de alta no curto prazo para os preços do petróleo, mas devemos esperar também uma alta volatilidade contínua nos preços."
Enquanto não há um acordo, o grupo dos houthis, aliados do Irã, manteve a estratégia de avançar suas posições no Iêmen e chegaram nesta sexta à ilha estratégica de Perim, no estreito de Bab el-Mandeb, segundo informaram quatro pessoas do governo iemenita à agência de notícias Reuters, o que pode reforçar seu controle sobre uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
Anteriormente, duas fontes do governo iemenita -apoiado pela Arábia Saudita e reconhecido internacionalmente- afirmaram que suas forças se retiraram de Perim e que os houthis também haviam tomado a cidade de Dhubab, no litoral do Mar Vermelho, que fica em frente à ilha.
Se os houthis assumirem o controle total do estreito de Bab el-Mandeb, isso poderia dar vantagem ao Irã na guerra contra os EUA. O estreito fica no lado oposto da Península Arábica em relação a Hormuz. O domínio reduziria o abastecimento por um segundo corredor de trânsito e poderia elevar os preços do petróleo.
A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo, tem contado com Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, para escoar sua produção de petróleo, enquanto Hormuz continua bloqueado.
Segundo o portal americano Axios, o príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu a Trump que ordenasse ataques contra os houthis para conter o avanço dos insurgentes. O presidente dos EUA teria recusado o pedido, apresentado duas vezes ao longo da quinta-feira, segundo o Axios, que cita pessoas do governo norte-americano.
Uma delas explicou ao portal de notícias que Washington continuaria fornecendo informações de inteligência sobre os houthis e possíveis alvos a Riade, mas não cogita, neste momento, uma intervenção militar direta.
As águas ao sul do Mar Vermelho abrigam quatro ilhas: Zuqar, tomada pelos houthis na quinta-feira, Perim e as duas ilhas Hanish.
Imagens de satélite mostraram fumaça na quinta-feira nas proximidades do gasoduto leste-oeste da Arábia Saudita, usado pelo reino para desviar suas exportações de petróleo.
"É surpreendente que o mercado de petróleo continue em baixa diante das notícias de que rebeldes houthis atacaram o oleoduto leste-oeste, o que afetaria 7 milhões de barris de petróleo bruto", disse Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.
Não houve confirmação da Arábia Saudita sobre qualquer incidente na área. A assessoria de imprensa do governo saudita e a gigante estatal de petróleo Aramco não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre a fumaça visível nas imagens verificadas pela Reuters.
A Aramco tem utilizado o gasoduto leste-oeste para aumentar o fluxo de petróleo bruto da costa leste da Arábia Saudita até o Mar Vermelho, a oeste, depois que os ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã começaram há seis meses, levando Teerã a bloquear o Estreito de Hormuz.
O fornecimento de petróleo bruto saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto, para 6 milhões de bpd, o nível mais baixo em mais de três décadas, informou a AIE (Agência Internacional de Energia) na sexta-feira, em parte devido aos ataques a navios que transitavam pelo Estreito de Bab el-Mandeb por grupos ligados aos houthis do Iêmen.
Se os estreitos de Hormuz e de Bab el-Mandeb ficarem bloqueados, a única alternativa para os navios-petroleiros é contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança, considerada uma opção muito mais longa e cara.