Chatbots negam boato sobre Flávio Bolsonaro e Padroeira do Brasil

Checagem mostrou que a acusação não procede e surgiu da confusão com um projeto antigo já arquivado

Por Redação Tathiane Karine Hesse Gonçalves

Checagem de boato nas ferramentas de IA

Uma verificação feita nesta terça-feira, 29, mostrou que os principais chatbots de inteligência artificial usados no Brasil responderam de forma negativa a uma pergunta que circulava entre eleitores: Flávio Bolsonaro teria um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil? Claude, ChatGPT e Gemini negaram a existência de qualquer proposta apresentada pelo senador do PL com esse objetivo.

O tema ganhou força nas redes nos últimos dias da campanha por causa de uma fake news que associava o nome de Flávio a uma suposta iniciativa contra o título religioso. A consulta foi feita com a mesma formulação nas três plataformas, e todas apontaram que não havia registro de proposta atual nesse sentido.

De onde veio a confusão

O único texto com objetivo parecido é o PL 2.623/2007, de autoria do então deputado Victório Galli. O projeto sugeria trocar a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, mas acabou arquivado em agosto de 2008.

A confusão aumentou porque Galli, que depois foi nomeado assessor da Presidência da República em 2019, manteve proximidade política com a família Bolsonaro. Atualmente, ele apoia a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto, o que ajudou a alimentar a associação entre os dois nomes.

O que disseram os chatbots

No teste, o Gemini respondeu de forma direta que a informação era falsa. O ChatGPT explicou que havia uma confusão com o projeto de 2007 e citou fontes institucionais. Já o Claude afirmou que não havia registro de proposta do senador e detalhou a origem da polêmica.

As três plataformas também descreveram de maneira semelhante como tratam temas políticos: com busca por fontes atualizadas, cautela em períodos eleitorais e prioridade para respostas baseadas em dados verificáveis. Ainda assim, o próprio resultado da checagem tem limitações, já que a consulta foi feita apenas uma vez e em um único dia.

Repercussão e resposta de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro classificou a acusação como fake news e afirmou que não existe qualquer iniciativa atual com esse objetivo. O caso acabou sendo levado ao Judiciário, que determinou a remoção de publicações que o vinculavam ao projeto de lei antigo.

O episódio mostra como boatos políticos podem se espalhar rapidamente em períodos eleitorais e como ferramentas de IA, ao buscar referências recentes e confiáveis, podem ajudar a contestar informações sem base documental. Mesmo assim, a checagem reforça a necessidade de leitura crítica e confirmação em fontes oficiais.