Defesa de Flávio Bolsonaro não consegue contato com o senador em meio a especulações sobre fuga
Advogados tentam falar com Flávio Bolsonaro para cumprir ordem de Moraes, mas não obtêm resposta até o fim do prazo para entrega dos passaportes.
Integrantes da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiram contato com o senador na manhã desta terça-feira (27), em meio às especulações sobre uma possível fuga do Brasil.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro havia combinado de receber os advogados nesta manhã para entregar os passaportes, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ordem judicial não foi cumprida porque os defensores não obtiveram resposta do senador. O prazo para a entrega dos documentos à Polícia Federal terminou às 11h.
O sumiço de Flávio gerou incômodo entre aliados do parlamentar. Nos bastidores, membros do PL avaliam que as especulações sobre uma eventual saída do país causam desgaste político e alimentam ruídos em torno do bolsonarismo.
Políticos próximos ao senador passaram a cobrar uma manifestação pública para encerrar a crise. A orientação entre aliados é que ele grave um vídeo ou publique uma nota esclarecendo a situação, já que ninguém conseguiu confirmar seu paradeiro desde o início das especulações.
Flávio Bolsonaro é investigado em três inquéritos no STF. Dois estão sob relatoria de Alexandre de Moraes e um é conduzido por André Mendonça. Mesmo fora da eleição, o senador deve continuar sendo alvo de apurações na Corte nos próximos meses.
Entre os casos em andamento está o chamado caso Dark Horse, que investiga lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Esse inquérito é conduzido por Mendonça.
Outro procedimento, relatado por Moraes, apura a atuação de Flávio Bolsonaro e do advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi nesse caso que o ministro determinou, na segunda-feira (26), o cancelamento e a entrega dos passaportes do senador.
Há ainda uma terceira investigação aberta por determinação de Moraes, relacionada à acusação de calúnia contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a Polícia Federal, Flávio teria cometido o crime ao associar o presidente à imagem de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela.