Pesquisa global revela associação entre vacina do zóster e saúde cardiovascular

Um novo estudo global apresentado no Congresso Europeu de Cardiologia (ESC 2025), em Madri, mostrou que a vacinação contra o herpes-zóster, popularmente conhecido como cobreiro, pode estar associada a uma redução significativa no risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A análise reuniu quase duas décadas de pesquisas e indicou que pessoas vacinadas apresentaram até 18% menos eventos cardiovasculares em comparação com quem não recebeu a imunização.

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O que a pesquisa descobriu

A meta-análise incluiu 19 estudos científicos, entre ensaios clínicos e trabalhos observacionais, tornando-se a primeira a reunir evidências globais sobre o impacto da vacina contra o zóster na saúde do coração.

Os resultados apontam que, a cada mil pessoas vacinadas, de 1 a 2 casos de infarto ou AVC são evitados por ano. Esse efeito foi observado tanto com a versão recombinante quanto com a atenuada da vacina.

No entanto, os especialistas ressaltam que a maioria dos dados vem de estudos observacionais, o que significa que ainda não é possível confirmar uma relação de causa e efeito.

Como a vacina pode proteger o coração?

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o estudo reforça um conceito já observado em outras vacinas, como a da gripe.

Infecções virais — incluindo influenza, coronavírus, vírus sincicial respiratório e o próprio herpes-zóster — podem aumentar a inflamação no organismo e desestabilizar placas de gordura nas artérias. Isso favorece o desprendimento dessas placas e pode levar a complicações graves, como infarto e AVC.

Portanto, ao prevenir o herpes-zóster, a vacina também pode reduzir indiretamente esses riscos cardiovasculares.

Situação da vacina contra herpes-zóster no Brasil

No Brasil, a vacina contra o zóster ainda não está disponível no SUS e só pode ser encontrada na rede privada.

Indicação geral: a partir dos 50 anos.

Indicação especial: para pessoas imunocomprometidas, como transplantados, pacientes em diálise ou em uso de imunossupressores, a partir dos 18 anos.

De acordo com a SBIm, a expectativa é que, caso seja incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), a imunização comece pelos grupos mais vulneráveis, como idosos e imunossuprimidos.

Importância para a saúde pública

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, responsáveis por mais de 3 milhões de óbitos por ano, segundo a Sociedade Europeia de Cardiologia.

Esse novo estudo sugere que a vacinação pode ser mais um aliado na prevenção cardiovascular, somando-se a hábitos de vida saudáveis, acompanhamento médico regular e controle de fatores de risco, como pressão alta, diabetes e colesterol.

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