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Estudo com daraxonrasibe mostrou melhora expressiva na sobrevida de pacientes com doença metastática
Avanço apresentado na Asco
Um anúncio feito durante a reunião anual da Asco, em Washington, chamou atenção da comunidade médica ao mostrar resultados animadores no tratamento do câncer de pâncreas. O oncologista Brian Wolpin, do Dana-Farber Cancer Institute, apresentou dados de um comprimido experimental que indicou melhora estatisticamente significativa na sobrevida de pacientes com doença metastática.
A reação foi imediata: cerca de 10 mil especialistas se levantaram para aplaudir a apresentação, em uma cena que se espalhou pelas redes sociais. O entusiasmo veio da percepção de que o estudo pode representar uma mudança importante em uma área historicamente difícil da oncologia.
O que mostrou o estudo
Os números ajudam a entender a repercussão. Após um ano, 55,3% dos pacientes que receberam daraxonrasibe estavam vivos, contra 18,7% entre os que fizeram quimioterapia. No estudo de fase 3 RASolute-302, cerca de 500 pacientes com câncer metastático foram divididos entre o novo medicamento e o tratamento convencional.
Além de prolongar a vida, o comprimido também reduziu o sofrimento associado ao tumor. A sobrevida média chegou a 13,2 meses no grupo tratado com daraxonrasibe, ante 6,7 meses no grupo da quimioterapia, e o tempo livre de doença também foi maior, reforçando o potencial da molécula como nova alternativa terapêutica.
Por que o resultado é tão relevante
Para especialistas, o impacto vai além da melhora numérica. Segundo o oncologista Pedro Uson, do Einstein Hospital Israelita, um tratamento capaz de controlar a doença, aliviar a dor e abrir caminho para cirurgias antes inviáveis pode aumentar de forma real as chances de cura em alguns casos.
O câncer de pâncreas costuma se localizar em áreas muito delicadas, próximas a vasos e nervos importantes. Quando um remédio reduz a invasão dessas estruturas, a cirurgia pode se tornar mais segura e, em alguns pacientes, até possível, o que amplia o interesse da comunidade médica pelo estudo.
O desafio das mutações no KRAS
Mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas têm mutações em genes da família RAS, especialmente no KRAS. Essas alterações estimulam a multiplicação das células malignas e sempre foram um grande obstáculo para o desenvolvimento de terapias eficazes.
O daraxonrasibe, desenvolvido pela empresa americana Revolution Medicines, tenta mudar essa lógica ao bloquear o mecanismo que alimenta o crescimento tumoral. Segundo especialistas, a droga também chamou atenção por atuar mesmo quando a mutação mais comum não está presente, sugerindo potencial como molécula pan-RAS.
Perspectivas para o futuro
Se for aprovado, o daraxonrasibe pode se tornar tratamento de primeira linha no futuro, sendo usado logo no diagnóstico e depois combinado com cirurgia e outras terapias. A expectativa é que a droga ajude a impedir a volta do câncer e aumente a taxa de ressecabilidade cirúrgica.
O medicamento também pode reduzir a dor ao diminuir a invasão tumoral em estruturas sensíveis. Além disso, está sendo testado em outros tipos de câncer, como o de pulmão, e pesquisas indicam até a possibilidade de atuar em lesões pré-malignas, o que amplia as perspectivas de uso em fases mais precoces da doença.
Prevenção continua essencial
Apesar da expectativa em torno do novo tratamento, médicos reforçam que prevenir segue sendo fundamental. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e alimentação rica em ultraprocessados e carne vermelha estão entre os fatores que aumentam o risco de câncer.
Também é importante lembrar que apenas uma parcela dos tumores de pâncreas é hereditária. Por isso, hábitos saudáveis desde cedo continuam sendo uma das principais formas de reduzir a exposição a agentes tóxicos ao longo da vida, enquanto a ciência avança em novas opções de tratamento e diagnóstico precoce.
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