Bronquiolite em bebês exige atenção a sinais de falta de ar

Doença começa como resfriado, mas pode evoluir rápido e precisar de atendimento médico ou internação

Por Tathiane Karine Hesse Gonçalves

Bronquiolite: atenção aos sinais de falta de ar pode evitar casos graves em bebês

Bronquiolite pode começar como um simples resfriado

A tosse, o nariz escorrendo e a febre leve muitas vezes parecem sinais de um resfriado comum, mas, em bebês, especialmente nos menores de dois anos, esse quadro pode evoluir para bronquiolite. A doença é uma inflamação dos bronquíolos, pequenas vias que levam o ar até os pulmões, e costuma aparecer com mais frequência nos períodos de maior circulação de vírus respiratórios.

De acordo com o pediatra Adriano Cremasco Salvador, o principal alerta não é apenas a tosse, e sim a dificuldade para respirar. Quando a criança apresenta cansaço respiratório, chiado ou esforço para puxar o ar, o atendimento médico deve ser buscado o quanto antes, sem esperar a piora do quadro em casa.

Sinais de alerta que os pais devem observar

Um dos sinais mais importantes é o esforço respiratório, quando o peito e o pescoço afundam a cada respiração e as costelas ficam mais aparentes. Também merecem atenção a respiração muito rápida, o batimento das asas do nariz, chiado intenso, pausas para respirar e sonolência excessiva.

Outros sinais de gravidade incluem dificuldade para mamar, o que aumenta o risco de desidratação, e a coloração arroxeada nos lábios, na língua ou nas unhas. Em bebês pequenos, esses sintomas podem evoluir rápido, por isso a orientação é procurar atendimento médico imediatamente diante de qualquer sinal de falta de ar.

Tratamento e quando a internação é necessária

Não existe um medicamento capaz de eliminar o vírus causador da bronquiolite. Nos casos leves, o tratamento costuma ser feito em casa com hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico, controle da febre e acompanhamento médico. Mesmo assim, é importante manter vigilância sobre a evolução dos sintomas.

Quando há comprometimento respiratório, a criança pode precisar de internação para receber oxigênio e outras medidas de suporte. Em situações mais graves, pode até ser necessária ventilação mecânica. Os casos mais preocupantes costumam ocorrer em menores de seis meses e em crianças com doenças associadas.

Prevenção começa na gestação e nos cuidados do dia a dia

Desde dezembro de 2025, o SUS oferece vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana. A proteção é importante porque os anticorpos produzidos pela mãe passam pela placenta e ajudam a proteger o bebê nos primeiros meses de vida, período em que o risco de complicações respiratórias é maior.

Além da vacinação, medidas simples ajudam a reduzir a transmissão dos vírus respiratórios: lavar as mãos antes de tocar no bebê, evitar contato com pessoas gripadas, manter os ambientes ventilados, higienizar brinquedos e superfícies, reduzir visitas nos primeiros meses, evitar fumaça de cigarro, manter o aleitamento materno e deixar a vacinação da criança e dos familiares em dia.