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Gaeco durante Operação Nuremberg, contra grupo neonazista (Fotos: MPSC/Divulgação)
Segundo o Ministério Público, o grupo era hierarquizado, fazia patrulhamento de rua e mantinha financiamento próprio para difundir racismo e apologia ao nazismo.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou à Justiça 14 suspeitos de integrar uma organização criminosa neonazista com atuação articulada em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A ação penal foi protocolada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital e agora depende de análise do Judiciário catarinense.
Se a denúncia for aceita, os investigados passam a responder formalmente como réus. Todos foram acusados pelo crime de integrar organização criminosa, e oito deles também vão responder por racismo e apologia ao nazismo, segundo a apuração apresentada pelo órgão.
Estrutura hierarquizada e atuação articulada
De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou uma estrutura bem definida, com lideranças e funções específicas. Entre os denunciados, o órgão cita o chefe do grupo, apontado como o “Führer brasileiro”, além de seu braço direito, uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo, um policial militar paulista e um advogado que daria suporte jurídico e operacional à organização.
O CyberGAECO identificou a utilização do “Sol Negro”, símbolo associado ao ocultismo nazista e ao supremacismo ariano, acompanhado da imagem de um fuzil AK-47, em referência à violência e à imposição ideológica pela força. Para o MPSC, o grupo operava de forma estável, coordenada e com forte hierarquia interna.
Rituais de adesão, financiamento e ameaças
A organização também adotava práticas típicas de associações fechadas para manter a coesão entre os integrantes. Novos membros precisavam preencher fichas de ingresso, havia produção de camisetas exclusivas, cobrança de mensalidades obrigatórias e uso de mecanismos de criptografia e segurança digital para restringir o acesso às comunicações internas.
O dinheiro arrecadado era usado para financiar propaganda e encontros presenciais. Nesses eventos, os envolvidos discutiam ações internas e planejavam os chamados “rolês”, termo usado pelo grupo para patrulhamentos em ruas e vias públicas com o objetivo de perseguir, identificar e agredir pessoas consideradas rivais.
Segundo a promotoria, os acusados chegaram a montar dossiês com fotos e dados de potenciais alvos. O material reunido seria usado para alimentar retaliações físicas e outras ações de intimidação, reforçando o caráter violento e articulado da organização investigada.
Operação Nuremberg e apreensões
A denúncia é resultado da Operação Nuremberg, deflagrada pelo GAECO em 31 de outubro de 2025. Na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.
As ordens judiciais foram executadas simultaneamente em cidades como São Paulo, Campinas, Taboão da Serra, Osasco, Curitiba, São José dos Pinhais, Araucária, Cocal do Sul, Jaraguá do Sul e Aracaju. Durante as buscas, as equipes apreenderam materiais de apologia nazista, computadores, armas brancas, facas e socos-ingleses.
A investigação foi conduzida em conjunto pela 39ª Promotoria de Justiça, especializada em organizações criminosas, e pela 40ª Promotoria de Justiça da Capital, que atua no combate a crimes de racismo e intolerância. O trabalho contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, por meio do CyberGAECO.
O nome da operação faz referência aos Julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial para responsabilizar os crimes cometidos pelo regime nazista. Para o Ministério Público, a escolha do título reforça a resposta institucional contra movimentos extremistas que atentam contra a ordem pública e o Estado Democrático de Direito.
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