Caminhoneiros recuam, descartam greve nacional e vão se reunir com Boulos
Caminhoneiros decidem não realizar greve nacional e aguardam nova assembleia, além de reunião com o ministro Boulos para tratar de diesel, frete mínimo e negociações com o governo.
Os caminhoneiros decidiram que não vão fazer greve — mesmo com insatisfação por conta do preço do diesel — e anunciaram que Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, irá se reunir com representantes da categoria na próxima semana.
O que aconteceu
Em assembleia na Sindicam, o Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista definiu que a decisão de aguardar negociar é soberana e que outras regiões costumam seguir a liderança do sindicato. O presidente do Sindicam, Luciano Santos, afirmou que o momento é de negociação com o governo e não de greve.
A categoria vai aguardar sete dias para reavaliar o cenário, com nova assembleia marcada para 26 de março. A liderança sindical pontuou que estão em negociação com o governo e reafirmou que não é hora de greve.
MP e fiscalização
A MP 1.343/2026, publicada hoje no Diário Oficial, prevê punições para empresas que não pagam o preço mínimo de frete aos motoristas. A fiscalização ficará a cargo da ANTT, com aumento para 100% dos fretes, segundo o texto.
A proposta também fala em ajustes no texto para proteger a categoria, incluindo regras de seguro, regime de gratificações e identificação de peso dos caminhões, entre outros pontos.
O governo já tem atuado para conter o preço do diesel: zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para reduzir o impacto das oscilações do petróleo. Além disso, há pressão para que estados reduzam o ICMS sobre o diesel importado.
Próximos passos e declarações
O presidente da CNTTL, Wallace Landim (Chorão), afirmou que o encontro com Boulos em 25 de março é uma oportunidade para avançar nas reivindicações e que, até lá, a greve fica suspensa, desde que haja atendimento às demandas.
Para a Abrava, as lideranças destacam que ainda há ajustes no texto da MP a serem discutidos, incluindo questões de seguros, junto com as demais entidades. A cobrança é por diálogo para evitar uma paralisação que afete a economia.
Especialistas destacam que a conjuntura global pressiona o custo do frete, tornando essencial um acordo que garanta mobilidade e renda para caminhoneiros sem prejudicar o abastecimento do país.
Contexto econômico
Além de medidas para frear o diesel, o governo incentiva ações da ANP para coibir cobranças abusivas nos postos, com reforço na fiscalização. A PF abriu investigações sobre supostos abusos de preços no mercado de combustíveis, buscando proteger consumidores.