Pai e filha, dois cães dos bombeiros de Santa Catarina se aposentam juntos

Iron e Léia se despediram juntos do serviço operacional no Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

Por CBMSC

.

É raro um pai e uma filha se aposentarem no mesmo dia. Mais raro ainda quando os dois têm quatro patas e passaram anos ajudando a localizar pessoas em mata fechada, áreas de difícil acesso e cenários de tragédia. Nesta sexta-feira, 15 de maio, em Porto União, no Planalto Norte catarinense, Iron e Léia se despediram juntos do serviço operacional no Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

 

Uma linhagem que marcou a história do CBMSC
Iron é um labrador com mais de 10 anos e carrega no sangue a trajetória de um pioneiro: é filho de Brasil, o primeiro cão de busca certificado internacionalmente pelo CBMSC, morto em 2020. Léia, de quase 8 anos, é neta de Brasil. Ou seja, são três gerações da mesma família servindo à corporação catarinense em missões de busca e salvamento.

 

Ao longo da carreira, Iron passou por mais de 70 ocorrências e acumulou sete certificações, incluindo uma internacional. Ele iniciou os trabalhos em Xanxerê, no Oeste catarinense, ao lado do cabo Josclei Tracz, e depois seguiu com o mesmo condutor para Porto União, onde trabalhou nos dois últimos anos de atividade.

Missões que exigiram preparo e resistência


A rotina dos cães de busca vai muito além dos grandes desastres que ganham destaque na imprensa. A maior parte do trabalho acontece em buscas terrestres, principalmente de pessoas desaparecidas em matas, trilhas e áreas rurais. É um serviço que exige faro apurado, preparo físico e uma relação muito forte com o condutor.

Mesmo assim, Iron participou de operações que ficaram na memória do estado. Em Brumadinho, Minas Gerais, ele integrou as equipes enviadas por Santa Catarina após o rompimento da barragem da Vale, em 2019. Foi a primeira e a quarta equipes catarinenses no local. Durante a missão, chegou a ser ferido na pata dianteira direita, passou por cirurgia de emergência e voltou à atividade dez dias depois.

O cão também atuou em buscas importantes dentro de Santa Catarina, como em Xanxerê, em 2020, quando localizou um homem de 86 anos que estava desaparecido havia mais de 24 horas. Em 2023, em Luzerna, Iron encontrou outro homem em uma área de mata fechada depois de dias de procura.

Léia também atuou em grandes operações
Léia seguiu caminho parecido. Filha de Iron e conduzida pelo cabo David Canever, da OBM de Canoinhas, ela foi treinada desde filhote e somou certificações em busca urbana, rural e de restos mortais. A cadela também participou da operação em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 2022, quando Santa Catarina enviou apoio ao trabalho de resgate após os deslizamentos provocados por fortes chuvas.

Na ocasião, Léia trabalhou por cerca de 10 dias na região do Morro da Oficina, um dos pontos mais atingidos pela tragédia. Além das missões em outros estados, ela deixou sua marca em ocorrências do Planalto Norte e da Serra catarinense, principalmente em buscas noturnas e em áreas de mata fechada, onde o risco de desorientação é maior.

Parceria, vínculo e descanso merecido
No CBMSC, os cães de busca vivem com os seus condutores, entram na rotina da família e seguem uma formação baseada em reforço positivo. Isso cria um vínculo que vai muito além do serviço. Iron vivia com o cabo Josclei Tracz. Léia, com o cabo David Canever. Ambos seguem agora aposentados, mas continuarão ao lado das famílias que os acolheram durante toda a carreira.

Para os bombeiros, a despedida tem um peso especial. Não se trata apenas do fim de uma escala de trabalho, mas do encerramento de uma trajetória construída com confiança, disciplina e afeto. Iron e Léia deixam o serviço ativo com a mesma dignidade com que atuaram por anos em busca de pessoas, em cenários difíceis e em missões que ajudaram a salvar vidas.