De 1975 a 1982 no 3º BPM: a história do coronel veterano Eriel Ivo Bahniuk

Oficial marcou época em Canoinhas, onde construiu família, atuou em missões históricas e contribuiu para preservar a memória do batalhão

Por Capitão Diego Gudas

Coronel veterano Banhniuk e capitão Gudas - São José-SC - 2025.jpg

O décimo terceiro entrevistado da série especial sobre veteranos do 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM) é o coronel veterano Eriel Ivo Bahniuk, cuja trajetória está profundamente ligada à história da unidade e ao município de Canoinhas. Entre 1975 e 1982, o oficial viveu momentos marcantes de sua carreira policial e de sua vida pessoal, deixando um legado que permanece vivo na memória da corporação.

Natural de Teixeira Soares, no Paraná, Eriel Ivo Bahniuk é filho de Teodoro e Eugênia Bahniuk. Ainda jovem, mudou-se com a família para Ponta Grossa, onde concluiu, aos 17 anos, o Ginásio Profissionalizante da Rede Ferroviária Federal, com formação em torneiro mecânico.

Em 1970, enquanto cursava o ensino científico no período noturno, dedicava-se ao curso de datilografia e ministrava gratuitamente aulas preparatórias para jovens que desejavam ingressar no ginásio. Foi também naquele ano que se apresentou ao serviço militar obrigatório no 13º Regimento de Infantaria, em Ponta Grossa.

O destino, porém, reservava outro caminho. Incentivado por seu irmão, então terceiro-sargento do Exército Brasileiro, inscreveu-se no concurso para o Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Polícia Militar de Santa Catarina. A viagem para Florianópolis marcou uma série de primeiras experiências para o jovem paranaense, incluindo sua primeira viagem intermunicipal de ônibus e sua primeira hospedagem em hotel.

Após semanas de provas e avaliações, conquistou o terceiro lugar no concurso. Em 1º de março de 1971, iniciou oficialmente sua formação como oficial da Polícia Militar catarinense, recebendo o nome de guerra “Bahniuk” e o número 3 da turma.

Concluído o curso, com a segunda melhor classificação da turma, apresentou-se ao 3º BPM em fevereiro de 1975, escolhendo Canoinhas por estar mais próxima de sua família. Permaneceria na cidade por sete anos e meio, período que considera um dos mais importantes de sua vida.

Foi em Canoinhas que conheceu sua esposa, Roselis “Peca”, filha do sargento Wagner (Fiep), durante uma partida de xadrez realizada no Cassino dos Oficiais do batalhão. O casal constituiu família e teve duas filhas. Mais tarde, já residindo em Florianópolis, vieram também os genros e os netos.

Na carreira, exerceu funções de destaque, entre elas a chefia do Serviço de Relações Públicas do 3º BPM, atividade equivalente ao atual setor P5, além do comando do Pelotão de Trânsito. Ambas as funções são lembradas por ele como experiências extremamente gratificantes.

Entre as missões mais difíceis que enfrentou está a coordenação do abate sanitário de aproximadamente 1.350 suínos durante o combate à peste suína, em agosto e setembro de 1978. O episódio, que o marcou profundamente, foi posteriormente registrado em seu livro de memórias intitulado “Dia de Chuva”.

Outra lembrança marcante ocorreu durante uma campanha de vacinação em uma comunidade do interior de Canoinhas. Escalado para acompanhar a equipe de saúde, viveu uma experiência singular de aproximação com a população local, que incluiu desde a acolhida dos moradores até o atendimento de uma ocorrência envolvendo um homem ferido por disparo de arma de fogo.

Bahniuk também participou das grandes operações de desarmamento realizadas na região durante as décadas de 1970 e 1980. Uma delas ocorreu em junho de 1977 e mobilizou 79 policiais militares em uma ampla ação pelo interior de Canoinhas, Bela Vista do Toldo, Major Vieira e Timbó Grande.

Além das atividades policiais, o então tenente também atuou como professor no Colégio Almirante Barroso, participou de inúmeros desfiles cívicos e cultivou amizades que mantém até hoje. Guarda recordações especiais de locais tradicionais da cidade, como o Bar Cometa e a Rádio Canoinhas, além da convivência com companheiros de farda e lideranças da época.

Em 1982, após ser promovido a capitão, foi transferido para Lages, onde participou da implantação do 6º Batalhão de Polícia Militar. Anos depois, em 1996, retornaria à unidade já como tenente-coronel, assumindo seu comando até a passagem para a reserva remunerada, em 1997.

Além da carreira militar, o coronel veterano destaca-se pela vocação literária. Autor do livro “Dia de Chuva”, também foi responsável pela elaboração do termo de abertura e por grande parte do conteúdo do Livro Histórico do 3º BPM, documento que registra acontecimentos relevantes da unidade entre 1976 e 1982 e que se tornou uma importante fonte para a preservação da memória institucional.

Dotado de memória admirável e apaixonado pela história da corporação, Eriel Ivo Bahniuk permanece como uma das figuras que ajudaram a construir e preservar a trajetória do 3º Batalhão de Polícia Militar, deixando contribuições que ultrapassam gerações.