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Brasil bate novo recorde de feminicídios no primeiro trimestre de 2026 (Fotos: Luis Nova)
O país registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Recorde de feminicídios no Brasil
O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O total representa alta de 4% em relação a 2024 e taxa de 1,4 caso por 100 mil mulheres, confirmando o quarto recorde consecutivo do indicador.
Embora as mortes violentas intencionais tenham caído no período, feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial foram as únicas modalidades que cresceram. No total, o país contabilizou 40.775 Mortes Violentas Intencionais, uma redução de 8,2% e a menor taxa já registrada na série.
Violência de gênero segue dinâmica própria
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados mostram que a violência letal contra mulheres segue uma lógica específica. A coordenadora de Gênero e Raça, Juliana Brandão, afirma que, enquanto os homicídios caem, as mulheres continuam morrendo por serem mulheres.
O relatório aponta fatores estruturais por trás da manutenção dos casos, como desigualdade de gênero, controle coercitivo, padrões culturais de masculinidade e fragilidades na rede de proteção. O estudo também destaca que 44,4% das mulheres assassinadas no país em 2025 morreram por razões de gênero, o maior percentual desde 2015.
Tentativas e medidas protetivas expõem risco contínuo
Além dos casos consumados, o país registrou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, aumento de 5,9% sobre o ano anterior. Isso significa que, para cada feminicídio consumado, houve 2,7 tentativas, indicando milhares de mulheres em situação de risco e expostas a agressões repetidas.
O anuário também mostra um cenário de recorrência da violência doméstica: em média, houve 502 registros de ameaça, 182 de lesão corporal dolosa, 84 de descumprimento de medida protetiva, 79 de perseguição e 39 de violência psicológica para cada feminicídio registrado. Em 2025, 70 mulheres foram assassinadas mesmo com medida protetiva ativa.
Perfil das vítimas, dos agressores e dos estados mais críticos
As estatísticas indicam que o feminicídio atinge principalmente mulheres negras e em idade economicamente ativa. Em 2025, 65,1% das vítimas eram negras, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos e 62,5% foram mortas dentro da própria residência.
Quando a autoria foi identificada, 96,4% dos crimes foram cometidos por homens. Em 60,9% dos casos, o agressor era parceiro íntimo da vítima; em 18,9%, ex-parceiro; e em 12,1%, um familiar. As maiores taxas foram observadas no Amapá, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com concentração dos índices no Norte e Centro-Oeste.
Resposta do governo e desafios da proteção
O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que os números do anuário são importantes para o monitoramento da violência contra a mulher. A pasta também informou que o primeiro semestre de 2026 registrou queda de 2,5% nos feminicídios, com 741 casos ante 760 no mesmo período de 2025.
Entre as ações citadas estão o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, a Operação Mulher Segura e o Centro Integrado Mulher Segura. Para especialistas, porém, o enfrentamento continua dependendo de prevenção, resposta rápida, fiscalização efetiva e fortalecimento da rede de proteção.
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