Empresário é preso em operação que apura cartel em licitações de shows em SC
José Clemir Spinelli, preso na operação "Pão e Circo", era dono de produtora que venceu licitações em cidades catarinenses e aparecia nas redes sociais com artistas nacionais e viagens internacionais.
Prisão de empresário na operação Pão e Circo
O empresário José Clemir Spinelli, de 54 anos, foi um dos presos na operação Pão e Circo, deflagrada nesta terça-feira (7) pelo Gaeco, do Ministério Público de Santa Catarina, com apoio da Polícia Civil. Dono da Spinelli Produções, ele é investigado por suspeitas de irregularidades em licitações e na contratação de shows e eventos em municípios catarinenses.
Nas redes sociais, Spinelli exibia uma rotina de luxo, viagens e fotos ao lado de artistas conhecidos nacionalmente, como Israel & Rodolfo, João Neto & Frederico e Luan Pereira. Segundo a apuração, essa imagem de proximidade com o mercado de shows contrastaria com a suspeita de atuação em um esquema voltado ao controle de contratos públicos e ao favorecimento de empresas do setor.
Suspeitas de cartel, propina e lavagem de dinheiro
De acordo com o Ministério Público, o grupo investigado teria estruturado um cartel para fraudar licitações em diferentes cidades de Santa Catarina. A suspeita é de que empresários e agentes públicos agiam em conjunto para direcionar contratos, manipular preços, eliminar concorrentes e receber pagamentos ilícitos.
As investigações também apontam possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, com fatos apurados entre 2017 e 2025. O órgão destaca que a presença de Clemir em fotos com artistas não significa irregularidade nos eventos em si, mas pode estar ligada a problemas nos processos licitatórios que permitiam a contratação pública dos espetáculos.
Mandados, bloqueio de bens e cidades alvo
No total, a operação cumpriu mandados em 19 cidades, sendo 18 em Santa Catarina e uma no Rio Grande do Sul. Entre os municípios citados estão Abdon Batista, Bombinhas, Brusque, Canoinhas, Itapema, Mafra, Porto Belo, Pouso Redondo, São Bento do Sul e Três Barras, além de uma ordem judicial em Porto Alegre.
A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 9 milhões em bens e valores, além de medidas cautelares como afastamento de funções, restrições para contratar com o poder público, proibição de acesso a repartições municipais e impedimento de contato entre investigados e testemunhas. Como há pessoas com foro por prerrogativa de função, as ações foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Reação das prefeituras e próximos passos
Os municípios alvo da operação divulgaram notas para informar o cumprimento dos mandados e afirmar colaboração com as autoridades. Em Mafra, a prefeitura disse ter prestado apoio integral às diligências e reafirmou compromisso com a legalidade e a transparência no uso dos recursos públicos.
Em Porto Belo, a administração informou que servidores acompanharam a equipe de investigação no setor de licitações e que houve busca também na residência do prefeito Joel Lucinda. Já em Itaiópolis, o município afirmou ainda não ter sido formalmente acionado, mas disse estar à disposição do Ministério Público para prestar esclarecimentos. A operação segue em andamento e pode ter novos desdobramentos após a análise dos documentos e provas recolhidos.