No aniversário do município, uma viagem pela história de Canoinhas, desde os primeiros caminhos até a cidade que hoje se reinventa sem perder suas raízes

CANOINHAS – 12 DE SETEMBRO DE 2026

Canoinhas chega aos 115 anos de emancipação política neste sábado, 12 de setembro. Mas o aniversário deste ano acontece de uma maneira diferente.

A cidade que se preparava para celebrar sua história com uma programação festiva precisou cancelar as atividades diante da situação provocada pelas fortes chuvas no Planalto Norte. Neste momento, a prioridade é cuidar das pessoas, acompanhar os rios, atender as ocorrências e minimizar os impactos provocados pelo excesso de chuva.

As celebrações religiosas permanecem como parte da programação.

E talvez não exista momento mais simbólico para lembrar a história de Canoinhas.

Porque esta é uma cidade que nasceu às margens de um rio, cresceu em meio às riquezas da floresta, atravessou conflitos, enfrentou transformações econômicas e chegou aos dias atuais carregando uma característica que permanece praticamente intacta: a força de sua gente.

ONDE TUDO COMEÇOU

Muito antes de existir o município de Canoinhas, a região já era ocupada por povos indígenas e fazia parte de importantes caminhos utilizados para a circulação de pessoas e mercadorias.

A presença dos rios, das matas e das araucárias marcou profundamente a formação do território.

O próprio nome Canoinhas está ligado a essa paisagem.

A denominação teria origem no Rio Canoinhas, associado historicamente à expressão “Canoges Mirim”, relacionada à ideia de pequenas canoas. O nome do rio acabou sendo incorporado ao povoado e, posteriormente, ao município.

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CAMINHOS QUE TROUXERAM GENTE

Com o passar do tempo, a região passou a fazer parte das rotas de tropeiros que atravessavam o Sul do Brasil.

Esses caminhos ajudaram a movimentar pessoas, animais, mercadorias e ideias.

E onde existe caminho, geralmente existe encontro.

Foi assim que diferentes povos foram chegando, estabelecendo famílias e ajudando a construir a identidade de Canoinhas.

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O “OURO VERDE”

Se existe uma planta que ajudou a escrever a história econômica de Canoinhas, ela é a erva-mate.

Durante décadas, os ervais foram uma das principais fontes de riqueza da região.

A produção movimentava trabalhadores, comerciantes, transportadores e indústrias.

Tanto que Canoinhas chegou a receber, em 1923, o título de “Ouro Verde”, em referência à importância econômica da erva-mate.

A planta continua presente na identidade do município até hoje.

Mais do que uma atividade econômica, a erva-mate se tornou parte da cultura, da memória e do cotidiano de muitas famílias.

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QUANDO A MADEIRA GANHOU ESPAÇO

Depois do período de grande importância econômica da erva-mate, outro recurso natural passou a ocupar um papel de destaque: a madeira.

As extensas florestas da região contribuíram para o desenvolvimento da indústria madeireira e transformaram novamente a economia local.

Serrarias, trabalhadores, caminhões e empresas passaram a fazer parte da paisagem.

A madeira ajudou Canoinhas a crescer, gerar empregos e se conectar a outros mercados.

Mas também deixou uma lição sobre transformação: a economia de uma cidade muda, e Canoinhas precisou aprender a se reinventar.

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CANOINHAS E A GUERRA DO CONTESTADO

Pouco depois da emancipação, a região seria colocada no centro de um dos episódios mais marcantes da história do Sul do Brasil: a Guerra do Contestado.

O conflito, ocorrido entre 1912 e 1916, envolveu questões sociais, econômicas, políticas e territoriais e deixou profundas marcas na população da região.

Canoinhas esteve inserida diretamente nesse contexto histórico.

É impossível contar a história do município sem lembrar desse período.

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UMA CIDADE FORMADA POR MUITOS POVOS

A Canoinhas de hoje é resultado do encontro de diferentes culturas.

Famílias de origem polonesa, ucraniana, alemã, italiana, sírio-libanesa e de tantas outras origens ajudaram a construir comunidades, tradições, atividades econômicas e manifestações culturais.

Cada família trouxe uma história.

Cada comunidade ajudou a formar um pedaço da cidade.

E é justamente essa mistura que faz Canoinhas ter uma identidade tão própria.

115 ANOS EM UM DIA DIFERENTE

E então chegamos a 12 de setembro de 2026.

Canoinhas completa 115 anos enquanto enfrenta mais um desafio provocado pela natureza.

A chuva mudou a programação.

As comemorações deram lugar à atenção às famílias e às áreas atingidas.

Mas uma cidade não existe apenas quando há festa.

Ela existe quando o comércio abre suas portas.

Quando o agricultor acorda cedo.

Quando o professor entra em sala.

Quando o profissional de saúde atende.

Quando o trabalhador pega a estrada.

Quando alguém abre a porta para ajudar o vizinho.

Quando equipes de emergência saem às ruas para atender quem precisa.

Uma cidade é feita de pessoas.

E talvez seja justamente por isso que a melhor homenagem a Canoinhas neste aniversário seja lembrar quem construiu essa história e quem continua escrevendo seus próximos capítulos.

Foram 115 anos de mudanças.

Da canoa ao asfalto.

Do tropeiro ao caminhão.

Do erval à indústria.

Da madeira às novas possibilidades do campo.

Da pequena comunidade ao município que hoje reúne milhares de histórias diferentes.

Canoinhas mudou.

Mas uma coisa permaneceu:

a capacidade de seu povo de seguir em frente.

Neste aniversário, não há necessidade de grandes fogos para lembrar a importância dessa data.

A história já fala alto.

E, depois que as águas baixarem, a cidade seguirá fazendo aquilo que aprendeu ao longo de 115 anos:

recomeçar, reconstruir e continuar.

Canoinhas, 115 anos.

Uma história que começou às margens de um rio e continua sendo escrita pelas mãos de seu povo.

Parabéns, Canoinhas.

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