Fim da jornada 6x1 preocupa empresas em Santa Catarina
Facisc diz que a transição será difícil para micro e pequenas empresas e pode elevar custos no comércio, serviços e saúde
Empresas de Santa Catarina terão de rever escalas
Com a aprovação no Senado do fim da jornada 6x1, setores como comércio, restaurantes, hospitais, transportadoras e outros serviços que operam diariamente passam a enfrentar a necessidade de reorganizar turnos e ajustar equipes. A mudança deve atingir com mais força as atividades que funcionam aos fins de semana e em horários estendidos, exigindo planejamento para manter o atendimento sem comprometer a operação.
Para a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), o principal problema não é a ampliação do descanso, mas o prazo considerado curto para a adaptação. A entidade avalia que a transição vai demandar contratação de pessoal, treinamento, redistribuição de horários e aumento dos custos operacionais em diferentes segmentos da economia catarinense.
Como fica a redução da jornada
A proposta aprovada reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e assegura dois dias de descanso por semana. A mudança será implantada em duas etapas: dois meses após a promulgação, o limite cai para 42 horas; depois de 14 meses, passa a 40 horas semanais.
Segundo a Facisc, o calendário de transição pode ser insuficiente para micro, pequenas e médias empresas, que têm menos margem para absorver novos custos. A federação afirma que negócios com operação contínua, como lojas, restaurantes, hotéis, serviços de saúde, transporte e indústria, sentirão mais pressão para remanejar equipes e evitar prejuízos.
Risco de alta de preços e menos vagas
A entidade empresarial também alerta para efeitos diretos sobre o consumidor e o mercado de trabalho. Na avaliação da Facisc, o aumento das despesas pode ser repassado aos preços ou levar empresas a reduzir contratações, o que afetaria a geração de empregos e a competitividade dos negócios.
O presidente da entidade, Elson Otto, afirma que pequenos estabelecimentos devem enfrentar o maior impacto, porque terão de cobrir folgas e manter o funcionamento com mais funcionários ou escalas mais apertadas. Para a federação, isso pode pressionar empresas já operando com margens estreitas e comprometer investimentos futuros.
Críticas à falta de diálogo na tramitação
Durante a tramitação da proposta, a Facisc divulgou posicionamentos públicos, mobilizou sua rede de associações empresariais e enviou ofícios à bancada catarinense no Congresso. A entidade diz que tentou defender maior flexibilidade na construção das novas regras e que faltou negociação mais ampla entre governo, empregadores e trabalhadores.
Com a aprovação da PEC, a federação afirma que seguirá acompanhando a regulamentação e cobrando segurança jurídica. A expectativa é que o debate continue em torno de medidas capazes de reduzir os impactos sobre a competitividade, o emprego e a sobrevivência dos negócios em Santa Catarina.